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Altruísmo: farinha pouca, meu pirão primeiro

Gilmara Bianchine
1 mês atrás
Você sabia que o altruísmo pode ser pecaminoso? Sim, ele pode! Descubra por que a falta dele destrói o coletivo mas feito com a motivação errada, pode ferir o indivíduo. Saiba aqui como você pode equilibrar essa balança!


Eu tenho refletido bastante sobre o altruísmo. Embora ele seja, geralmente, reconhecido como um bem indiscutível, eu chego à conclusão que também pode assumir um aspecto pecaminoso. Parece contraditório, não é? Mas eu vou explicar melhor. Veja só!

Explicando o altruísmo

Quando viajamos de avião, antes da decolagem ou logo nos primeiros minutos de vôo, nós recebemos as instruções de segurança. Uma delas, trata de como devemos agir em caso de despressurização da cabine:

“Máscaras de oxigênio cairão do teto sobre seu assento.
Coloque-a sobre nariz e boca, acerte o elástico e respire normalmente.
Ajuste sua máscara antes de ajudar outras pessoas
”.

Cuidadores de idosos, enfermos, ou de pessoas com qualquer tipo de dependência física, vez ou outra, ouvem, ou ao menos deveriam ouvir, o seguinte conselho: “cuide-se também!”

A ordem geral em casos de afogamento, incêndio, vazamentos de gás ou acidentes é sempre a mesma:

“Ponha-se em segurança primeiro!”

De fato, essas situações compartilham o princípio de que um indivíduo precisa estar bem para ter condições de ajudar o próximo.

Por exemplo, no caso do avião, ficar sem oxigênio por quinze ou vinte segundos, isso causaria um desmaio; e, evidentemente, alguém desmaiado não pode prestar auxílio a ninguém.

Além disso, um cuidador que negligencia uma boa alimentação e o fortalecimento físico e psicológico pode adoecer antes mesmo de completar sua missão.

Por isso, em casos de emergência, é muito mais aconselhável não bancar o herói despreparado, a fim de não se tornar apenas mais uma vítima.

Entretanto, em circunstâncias de normalidade, nas quais é necessário viver coletivamente, observamos com frequência a priorização pessoal.

Um altruísmo esquecido

Não importa o âmbito; a sensação que temos é a de que o altruísmo anda bem esquecido em nossas relações.

Na política, abundantes episódios de corrupção e desvio de verbas, afetando serviços públicos básicos e essenciais e prejudicando a população. Assim, somos testemunhas da aprovação de leis que beneficiam alguns poucos aliados, vemos familiares recebendo favores, testemunhamos o acúmulo de privilégios, constatamos nenhum senso de comunidade.

Nos ambientes de trabalho ou estudo, vemos colegas focados em crescer às custas de ideias alheias e apropriação de créditos. Um exemplo são as pequenas artimanhas em variados contextos acontecem à nossa volta, sempre tendo em vista o benefício próprio por parte de quem as pratica. Isso acontece, por vezes, de maneira furtiva, por outras, às claras.

Eu primeiro

Quantas vezes assistimos na TV, verdadeiros arrastões em Black Fridays? Também, quantas vezes,  em aniversários de cidades, presenciamos cidadãos se atropelando para conseguir a maior fatia possível do bolo comunitário?

Há não muito tempo atrás, os estoques de papel higiênico se esgotaram por causa da pandemia, você se lembra? Bastou isso para sentirmos uma mescla de medo, instinto de sobrevivência e imediatismo que engoliu qualquer altruísmo que pudesse existir.

Outro monstro devorador de altruísmo atende pelo nome de descuido, ou mesmo desatenção. Ele ataca, não quando buscamos nosso interesse de modo ativo e intencional, mas, simplesmente, sem pensarmos nos demais. Mais que atuar no sentido de obter vantagem, vivemos à nossa maneira, sem perceber o impacto causado em nosso entorno.

Um exemplo simples: a maioria das pessoas não tem uma boa impressão de banheiros públicos. Afinal, eles são, em geral, ambientes sujos e mal cuidados. Não porque não existam zeladores responsáveis pela ordem e limpeza, e sim pela displicência dos usuários que não pensam que outros usarão o espaço depois deles ou que simplesmente acham que “tem quem limpe”.

Veja, o ponto aqui não é andarmos por aí limpando banheiros. Se cada um secasse sua própria gota, não teríamos uma poça.

Um altruísmo imposto

Curiosamente, são as mesmas pessoas que negligenciam pequenas coisas como essas que costumam exaltar grandes comportamentos de extrema civilidade.

Não são poucas as vezes que um determinado país específico atrai olhares e elogios pela maneira como seus cidadãos interagem com seus espaços comuns. O Japão é exemplo frequente em discussões sobre esse tema. Portador de uma cultura focada na priorização da harmonia grupal, os japoneses são conhecidos por colocar o bem-estar comum acima de interesses pessoais. Eles recolhem o lixo em estádios após os jogos, usam máscaras quando estão doentes para evitar contaminar os demais, tiram os sapatos ao entrar em casas ou templos, cumprem horários, prazos e regras com rigor. Os japoneses, ainda, fazem silêncio nos transportes públicos e elevadores para não perturbar o ambiente. Quando ocorrem acidentes ou falhas corporativas, por exemplo, líderes assumem a responsabilidade, pedem desculpas públicas e apresentam soluções ou compensações. Desde o ensino fundamental as crianças aprendem que se todos colaboram, a carga é menor e o benefício é geral.

Nos bastidores dessa peça impecável, porém, o caos se alastra em silêncio. A pressão que uma pessoa sofre para estar em conformidade com o socialmente esperado causa estresse, medo e até isolamento. Afinal, desapontar a família, o chefe, os amigos ou a comunidade é uma preocupação torturante, sempre à espreita.

Portanto, equilibrar essa balança tem sido um desafio constante, e há muito tempo este é um assunto frequentemente debatido entre os japoneses.

A origem dos problemas

Chegamos a um ponto intrigante: a falta de altruísmo prejudica o coletivo mas a sua presença pode prejudicar o indivíduo.

Sob o olhar pela perspectiva cristã, perceberemos que agir sem altruísmo nada mais é que a manifestação do pecado que habita nosso coração.

A verdade nua e crua é que amamos desmedidamente a nós mesmos e seguimos cegamente o ditado: “farinha pouca, meu pirão primeiro“. Afinal, nós buscamos suprir as nossas próprias necessidades e desejos para somente depois pensarmos se podemos fazer algo pelo próximo. Essas necessidades e desejos costumam ser infinitos e você já entendeu como isso acaba, não é mesmo?

Entretanto, por outro lado, agir com altruísmo por obrigação, adequação, costume ou para ser bem-visto não é menos pecaminoso. Afinal, um altruísmo vindo de um coração movido por medo, comodismo ou orgulho é a outra face da mesma moeda maligna. Os dois comportamentos, embora distintos e com diferentes consequências, revelam a miséria do coração humano.

Um altruísmo redimido

Então, se para um ímpio, não praticar o altruísmo ou praticá-lo por motivações equivocadas traz más consequências, como deveria agir um cristão? E mais, quais passos a Palavra nos mostra e anima a seguir?

“… Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:39)

Sendo parte da lei, esse mandamento é repetido com frequência no Novo Testamento. Além desse texto, nós o vemos novamente em Marcos 12:31 e em Lucas 10:27.

Como eu já disse antes, nós nos amamos muito mesmo sendo a maneira como manifestamos esse amor, distorcida. Sempre nos colocamos em primeiro lugar, arquitetamos situações para obter benefícios, protegemos nosso conforto.

Escolha por um momento uma pessoa que você conhece e tente transferir todo esse esforço de autopreservação para ela. A princípio, talvez ter em mente um familiar ou amigo torne a tarefa mais fácil, mas e o colega chato de trabalho? Vale a pena pensar no outro que nunca pensa em você? Você acha essa uma tarefa tranquila e prazerosa?

Coração transformado e mente renovada

Viver no corpo de Cristo pressupõe um coração transformado e uma mente renovada. O Espírito habita no crente pela fé, conferindo-lhe novas intenções e ações, cujo alvo, veja só, são os outros.

Entre os crentes, a comunhão tem menos a ver com reuniões festivas ou sociais e mais a ver com compartilhamento. Também transmite a ideia de dar de si para o bem comum e a de sacrificar-se em favor de outros.

E quem, senão o próprio Mestre, sacrificou-se pelos que ainda eram seus inimigos? Seu exemplo transborda em vários princípios da Escritura.

“Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (João 13.14-15)

A Palavra nos ensina a amar, não julgar, edificar, acolher, perdoar, sujeitar, levar as cargas uns dos outros. Afinal, é com ela que aprendemos a considerar os demais superiores a nós mesmos e a usar os dons que Ele nos dá para servirmos aos outros.

Um bom testemunho

E para além da igreja, que fazemos?

Como manifestamos esse altruísmo redimido diante dos que não conhecem a Deus?

Pregar o Evangelho é, em si, o primeiro testemunho de um coração regenerado. Afinal, a mensagem que um dia nos trouxe salvação é a que propagamos, esperando que outros sejam alcançados pela mesma graça. Desejamos que mais pessoas venham ao conhecimento da verdade e não guardamos esse tesouro apenas para nós.

Também nos empenhamos em viver de maneira que manifeste os valores do Reino, cumprindo obrigações civis e vivendo em integridade, exercendo influência piedosa em nossos círculos de atuação e trabalhando para dirimir injustiças e promover o bem comum.

Devemos, sempre, e seria de grande utilidade manter em mente as palavras de John Wesley:

“Faça todo o bem que puder, por todos os meios que puder, de todas as maneiras que puder, em todos os lugares que puder, todas as vezes que puder, a todas as pessoas que puder, enquanto você puder.” (John Wesley)

Conclusão

Para encerrar, você pensou seriamente em tudo sobre o que conversamos aqui? Ouso fazer uma pergunta que exige uma resposta sua, nem que seja uma resposta para você mesmo:

Em qual pirão você vai pensar em primeiro lugar da próxima vez em que a farinha for pouca?

Você gostou desse texto sobre o altruísmo?

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