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Meritocracia, uma constante tentação

Diego Venancio
4 semanas atrás
Se tudo vai bem, Deus está aprovando? Se dói, Ele está punindo? Por que ligamos sofrimento a culpa? A fé funciona como troca de esforço por recompensa? Descubra como Jesus desmonta a meritocracia religiosa e redefine nossa leitura da dor.


Mesmo quando nossa fé aparente ser firme e nossa caminhada com Deus, longa, ainda assim, carregamos algumas tentações no nosso modo de pensar e uma delas diz respeito à meritocracia. Uma delas é a de acreditar que, se tudo vai bem e estamos felizes, é porque estamos fazendo tudo certo; e que, se enfrentamos crises, dores e problemas é porque fizemos algo de errado. Esse tipo de raciocínio surge quase automaticamente em nosso coração.

Hoje, nós vamos chamar esse modo de pensar de meritocracia.

Eu explico:

No dia a dia, a meritocracia pode ser algo bom. Em muitas áreas da vida, é justo receber o resultado do esforço, do trabalho e da dedicação. Todos nós apreciamos a justiça quando ela funciona assim. O problema surge quando levamos essa lógica para a nossa relação com Deus como se a vida espiritual funcionasse do mesmo modo que uma troca justa entre esforço e recompensa.

A pergunta lógica

Em João, no capítulo 9, Jesus encontra um homem cego de nascença. Diante daquela situação, os discípulos fazem uma pergunta que parece lógica para eles:

“Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2)

Essa pergunta revela muito mais do que curiosidade. Ela demonstra como o coração humano costuma pensar quando se depara com o sofrimento.

Para os discípulos, aquela cegueira precisava ter uma causa moral. Alguém deveria ter feito algo de errado. Se foi o próprio homem, isso seria estranho pois ele já nasceu cego. Então, restava a outra opção: seus pais deveriam ter errado. Em qualquer uma das hipóteses, o certo é que a dor precisava ser explicada como castigo.

Essa maneira de pensar está muito próxima da ideia de meritocracia, isto é, a crença de que cada pessoa recebe exatamente aquilo que merece, seja o bem ou seja o mal.

Esse pensamento do ser humano não foi abandonado no passado. Ele continua vivo em nossos dias, inclusive, é bom que se diga, dentro da igreja.

A meritocracia em ação

Muitas vezes, quando algo ruim acontece conosco, logo pensamos:

“Onde foi que eu errei?”

ou…

“O que fiz para Deus permitir que isso acontecesse?”

Sem perceber, passamos a enxergar Deus como alguém que recompensa os obedientes e pune os desobedientes de forma imediata e direta.

É claro que a Bíblia ensina que o pecado trouxe consequências sérias para o mundo. Por causa da queda, a criação inteira foi afetada.

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5:12)

A doença, a dor e a morte existem por causa do pecado. Mas isso não significa que todo sofrimento seja resultado de um pecado específico. A própria Escritura corrige essa ideia.

Em Ezequiel nós vemos que o filho não leva a culpa do pai, nem o pai a culpa do filho.

“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este.” (Ezequiel 18:20)

João Calvino, ao comentar esse texto, diz que Jesus desmonta a falsa ideia de que todo sofrimento é punição direta.

Quando pensamos assim, acabamos reduzindo a graça de Deus e transformando a vida cristã em um sistema de troca: bom comportamento em troca de proteção. Essa não é a fé ensinada por Jesus.

O livro de Jó e o fim da explicação fácil

Se existe um livro na Bíblia que quebra de vez a lógica da meritocracia, esse livro é Jó.

Veja como o livro de Jó inicia:

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.” (Jó 1:1)

Vemos, claramente, que Jó é apresentado como um homem íntegro, justo, temente a Deus e correto em sua conduta. Ainda assim, ele perde seus bens, seus filhos e sua saúde. Nada daquilo aconteceu porque ele havia pecado de forma especial ou secreta.

Os amigos de Jó e a meritocracia

Os amigos de Jó representam, exatamente, a mesma mentalidade dos discípulos que fizeram aquela pergunta a Jesus do início da nossa meditação. Para eles, Jó só poderia estar sofrendo tanto porque havia pecado. Eles insistem nisso, capítulo após capítulo. Mas estão errados.

Veja o que o próprio Deus diz no final do livro:

“Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó, o Senhor disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.” (Jó 42:7)

Deus estava irado porque eles estavam errados a respeito Dele. O sofrimento de Jó não era um castigo. Era parte de um plano maior, que só Deus conseguia compreender naquele momento.

Deus não explica todos os detalhes, mas mostra a Jó algo mais importante: Ele continua no controle de tudo. Isto é, Seu poder, Sua sabedoria e Sua vontade são maiores do que qualquer tentativa humana de explicação.

Essa mesma verdade aparece em no capítulo 9 do evangelho de João, quando Jesus responde aos seus discípulos:

“Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9:3)

Ele muda, completamente, a forma de olhar para o sofrimento. Jesus não aponta para o passado, buscando culpa. Ele aponta para o que Deus fará.

Deus governa todas as coisas. A Confissão de Fé de Westminster afirma que nada acontece fora da providência divina. Isso não quer dizer que Deus seja o autor do mal, mas que até mesmo aquilo que não entendemos está debaixo de Seu controle amoroso. E ainda que Deus fosse o autor do mal, como sugere alguns,  não seria contaminado por Ele, pois o Criador não é a criatura e nem pode ser confundido com ela.

O desejo humano é viver uma fé previsível, onde tudo dá certo se fizermos tudo certo. Mas essa não é a fé bíblica.

Confiar em Deus é descansar Nele, mesmo quando não há respostas claras.

A libertação da meritocracia religiosa

A resposta de Jesus em referência ao caso do cego de nascença é libertadora. Ela nos livra da prisão da meritocracia religiosa. Jesus mostra que a vida não é um sistema de punições e recompensas imediatas. Deus não age como um fiscal severo, esperando um erro para castigar.

Isso não significa que as nossas escolhas não importam. Importam, sim. A Bíblia ensina que uma vida irresponsável traz consequências, como vemos em Gálatas:

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6:7)

Mas existe uma grande diferença entre colher os frutos de escolhas erradas e acreditar que todo sofrimento é um castigo direto de Deus.

Os discípulos não estavam falando de imprudência, mas de culpa oculta. Jesus rejeita essa ideia.

Muitas vezes, quando enfrentamos dor, a nossa fé enfraquece e podemos até pensar que Deus se afastou. Mas o evangelho nos ensina o contrário. Isso quer dizer que a nossa relação com Deus não é baseada no nosso desempenho, mas na graça.

“Pela graça sois salvos, mediante a fé… não de obras…” (Efésios 2:8–9).

O homem curado no capítulo 9 de João não recebeu apenas a visão física. Ele passou a enxergar quem Jesus era. Mesmo sendo rejeitado pelos líderes religiosos, ele permaneceu firme. A sua vida tornou-se um testemunho da obra de Deus.

Herman Bavinck disse que “Deus não explica todo sofrimento, mas o conduz para um fim bom“.

Em Romanos vemos uma afirmação do apóstolo Paulo que serve de base a essa sua frase:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28)

Por “todas as coisas” entendemos, inclusive, aquilo que não entendemos.

Conclusão

Abandonar a meritocracia é aprender a confiar. É deixar de tentar controlar Deus com boas obras e descansar em Sua soberania.

No bem ou na dor, Ele continua sendo Pai, Senhor e Redentor. E isso, é bem mais do que suficiente.

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