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Laços de Amor

Isaias Lobão
1 dia atrás
Falamos tanto de liberdade que a ideia de ser preso por laços de amor parece contraditória. Mas e se essa prisão fosse a verdadeira liberdade? Oséias 11.4 nos mostra um Deus grande e terno que se inclina para prender, sustentar e alimentar um povo rebelde.

“Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.” (Oséias 11.4)

A expressão “laços de amor”

Quero me deter nesta expressão: “laços de amor”. À primeira vista, ela parece reunir coisas inconciliáveis. Os laços prendem, enquanto costumamos associar o amor à liberdade. Contudo, essa aparente contradição revela quanto precisamos aprender acerca de nossa própria condição e da natureza da graça divina.

O pecador imagina ser livre quando se afasta de Deus, sem perceber que sua vontade está cativa de desejos que não consegue governar. Quando o Senhor o atrai para Si, liberta-o dessa servidão e o conduz à comunhão para a qual foi criado. Os laços do amor divino nos prendem Àquele em quem encontramos a verdadeira liberdade.

Um testemunho doloroso

Oséias profetizou em um período de profunda infidelidade em Israel. O povo conservava antigas práticas religiosas, mas seu coração se inclinou aos falsos deuses e seus ídolos.

A vida familiar do profeta Oséias tornou-se um testemunho doloroso da relação entre o Senhor e Seu povo. Por ordem divina, ele se casou com Gômer.

“…o Senhor lhe disse: Vai, toma uma mulher de prostituições e terás filhos de prostituição, porque a terra se prostituiu, desviando-se do Senhor.

Foi-se, pois, e tomou a Gômer, filha de Diblaim, e ela concebeu e lhe deu um filho.” (Oseias 1:2b,3)

A infidelidade conjugal retratava a infidelidade espiritual de Israel, que abandonava o Senhor para buscar outros deuses.

No capítulo 11, Oseias apresenta Deus como um pai cujo filho desprezou Seus cuidados.

“Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.” (Oseias 11.1)

Os laços de amor de Deus

A história começa com o amor de Deus. Antes que Israel pudesse apresentar qualquer merecimento, o Senhor já o havia chamado de Seu primogênito.

“Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito.” (Êxodo 4:22)

Foi Ele quem ouviu seu gemido, quebrou o poder de seus opressores e o conduziu para fora da escravidão. A libertação procedeu da fidelidade divina, não da excelência daquele povo. Israel devia sua existência como povo da aliança à misericórdia Daquele que o escolhera.

Essa misericórdia se manifestava nos cuidados mais ternos. O Senhor ensinara Efraim a andar, tomara-o nos braços e o curara, embora o povo não reconhecesse a mão que o sustentava.

“Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava.” (Oseias 11:3)

O cuidado do Pai

Como um pai acompanha os passos vacilantes do filho, assim Deus conduzira Israel. Quantas quedas foram amparadas! Quantas necessidades, supridas! Quantos perigos, afastados sem que aqueles que foram preservados sequer o percebessem!

Creio que encontramos aqui um retrato de nossa própria ingratidão. Recebemos diariamente benefícios cuja origem mal reconhecemos. Desfrutamos o sustento, atravessamos aflições, somos guardados em circunstâncias que não compreendemos. Ainda assim, atribuímos à nossa prudência aquilo que devemos à providência de Deus. O pecado revela sua perversidade justamente nisso: é cometido contra Aquele de quem recebemos todo bem.

Entretanto, o Senhor declara:

“Atraí-os… com laços de amor; … me inclinei para dar-lhes de comer.” (Oséias 11.4)

Aquele diante de quem as nações são como uma gota num balde dignou-se cuidar de um povo rebelde. Sua grandeza não diminui Sua ternura; torna-a ainda mais admirável. O Deus que governa todas as coisas conhece a fraqueza dos Seus e atende às suas necessidades com uma condescendência que deveria nos levar à adoração.

Ternura não é indiferença

Seria um erro, porém, confundir essa ternura com indiferença ao pecado. O mesmo capítulo que anuncia o amor paternal de Deus também anuncia Seu juízo. Israel desprezou a Palavra e persistiu em sua rebeldia; haveria de conhecer a amargura de seus caminhos. O amor santo do Senhor não trata como inofensivo aquilo que corrompe Seus filhos. Sua disciplina nos ensina a abandonar os ídolos aos quais nosso coração tão facilmente se apega.

À luz do evangelho, contemplamos em Cristo a manifestação suprema desse amor. O Filho de Deus veio buscar pecadores, tomou sobre Si a culpa de Seu povo escolhido e suportou o juízo que lhe era devido. Na cruz, aprendemos tanto a gravidade de nossa rebelião quanto a grandeza da misericórdia divina. Nosso perdão custou o sangue do Salvador; nossa reconciliação repousa inteiramente em Sua obra.

Portanto, submeta seu coração à Palavra de Deus e reconheça Sua bondade tanto no sustento quanto na disciplina. Oro para que o amor revelado em Cristo desperte em você uma obediência humilde e agradecida.

 

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