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Insatisfação

Gilmara Bianchine
2 semanas atrás
Por que a insatisfação nos acompanha mesmo quando tudo parece certo? Por que o coração vive imaginando outros caminhos, desprezando o presente e fantasiando futuros inalcançáveis? O que faz nossa alma nunca se sentir plenamente em paz?


Hoje vamos pensar um pouco sobre a nossa, sempre presente, insatisfação.

Em 1913, Eleanor H. Porter publicou Pollyanna, a história de uma órfã de 11 anos, dona de um otimismo característico. Sua marca registrada era o “jogo do contente”, no qual ela tratava de sempre encontrar algo positivo em situações desagradáveis.

Li o livro ainda na infância, mas me lembro de ter pensado: como é que ela consegue?

Existem várias músicas que fazem parte da cultura evangélica brasileira – dessas compartilhadas por diversas denominações e que sobrevivem aos anos – cujas letras normalmente resumem algum aspecto da fé.

“Satisfação é ter a Cristo,
Não há melhor prazer já visto.
Sou de Jesus e agora eu sinto
Satisfação sem fim.”

Você leu cantando?

Dias atrás compartilhei um pequeno texto, em minha rede social, com a letra de outra canção, das antigas:

“Jesus é melhor, sim,
Que ouro e bens…”

Essa música é uma poesia que exalta o valor incomparável do Senhor frente às demais coisas. Dizia eu como várias dessas canções são muito difíceis de cantar. Não por sua execução complexa, mas por seu teor; as verdades nelas expressas nem sempre encontram eco em nosso coração.

O que eu quero dizer? Quero dizer que dificilmente uma música conseguirá abranger todas as variantes do coração humano em três minutos. Claro: ela é um resumo de uma verdade da Escritura, às vezes uma oração pedindo o que queremos ser. Assim, cantamos no domingo e seguimos cantarolando nos dias seguintes.

Lá pelo meio da semana, quando o carro velho pifa, o sentimento de “satisfação sem fim” não parece tão tangível e a insatisfação bate à porta.

Absorvidos pela insatisfação

Assim como o sol nasce sobre justos e injustos, a insatisfação nasce no coração humano.

Somos seres falíveis em um mundo imprevisível. Não apenas não controlamos eventos externos, como também a nossa percepção é limitada; enxergamos por vieses ou desconhecemos informações cruciais. Assim criamos expectativas irreais, presumimos e projetamos. Por vezes nos faltam meios para mudar nosso contexto e nos sentimos estagnados.

A espera pelo desenvolver dos processos nos traz incerteza. Olhamos para os outros e, de maneira torta, fazemos comparações. A vida não poderia ser um pouco mais fácil e confortável?
No fim do dia, a inércia nos cansa e a insatisfação aparece.

Surge a tentação de desconfiar do Deus soberano, que orquestra todas as coisas para o bem dos que O amam.

Será que não somos de Jesus por sentir insatisfação? Será que deveríamos considerar o “jogo do contente”?

O jogo dos descontentes e da insatisfação

Talvez nós tenhamos nosso próprio jogo, em vez de, como Pollyanna, buscarmos o lado positivo de toda e qualquer situação.

Um jogo de três fases, em três tempos:

  1. imaginar o que poderia ter sido,
  2. desprezar o que é, e
  3. fantasiar o que será.

Esse é o jogo da insatisfação.

Gostamos de imaginar como seria se tivéssemos estudado para outra carreira ou mudado de cidade. E se aquela proposta não tivesse sido rejeitada? Onde e como estaríamos? Será que em melhores condições, com mais êxitos e menos decepções?

Nós dizemos: “Ok, o passado já não pode ser mudado“.

Passamos a olhar para o presente e nos perguntamos: “Então, é isso? Essa casa, esse bairro, essa rotina? Essas cores na parede, esses quadros, essas fotos e esses relacionamentos? Esse trabalho, o mesmo trajeto e a mesma paisagem?”

Logo, quase como uma fuga, começamos as projeções no futuro.
Seria ótimo ter um pouco mais de dinheiro e melhorar nosso padrão de vida, ou mesmo tirar umas férias divertidas. Que incrível seria se aparecesse uma oportunidade para colocarmos em ação nossas habilidades e talentos, ou para criarmos um projeto.

Se este é um bom ou mau jogo, já veremos. Antes, vamos dar uma olhada em um provável jogador.

Um antigo jogador

O homem de quase oitenta anos caminha pelo deserto, conduzindo um rebanho de ovelhas. Entre vales e colinas rochosas, ele mapeia o terreno em busca de pasto e água.

Enquanto os animais comem, ele vigia, atento: “Tomara que hoje nenhum resolva fugir. Espero que não apareça nenhum predador ou ladrão; o dia foi quente demais e a noite promete ser gelada. Já são algumas semanas longe de casa, e voltar para lá com um relatório de perdas não seria muito agradável“.

Ao escurecer, já todos reunidos no aprisco, uma pata quebrada devidamente tratada, ele olha um momento para o céu. Ecos das aulas de astronomia ressoam em sua mente, e ele vai repassando os nomes das estrelas e constelações. Enquanto isso, um poema atravessa seus pensamentos, seguido de uma estratégia militar complicada.

E se ele tivesse, simplesmente, ido pelo caminho da diplomacia?

Certamente não estaria hoje nesse cenário inóspito e monótono, repetindo as mesmas tarefas todos os dias, até… morrer? Sim, morrer, porque o futuro tampouco parece mais promissor do que a exaustiva rotina diária. A terceira fase do jogo já nem faz sentido; o fracasso anterior e a mesmice atual minaram fantasias futuras.

Um resultado amargo da insatisfação

Que tal a performance de Moisés? Criado como filho do Faraó, não pôde evitar a insatisfação: e se ele livrasse o povo de Israel?

No entanto, ao tentar levar a cabo a missão, acabou como assassino, desacreditado entre seus irmãos e fugitivo dos egípcios. Assim, amargou sua derrota por quarenta anos de idas e vindas por Midiã.

“E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.” (Atos 7:22)

O príncipe do Egito, poderoso em palavras e obras, com planos abolicionistas, passou então a ser pastor das ovelhas do sogro — uma humilhação acompanhada de insatisfação.

Mais tarde, quando Deus o chama na sarça ardente e o comissiona à mesma tarefa que tentara sozinho, as marcas ressurgem. Nesse momento, sua identidade está abalada, pois desconhece a autoridade do Senhor, teme ser rejeitado novamente e esconde suas habilidades.

Por fim, recusa a incumbência. Em resumo, cada um desses comportamentos resulta de sua, e que também é a nossa, insatisfação.

Consequentemente, ela deforma nossa percepção de nós mesmos: baseamos o nosso valor em nosso status, conquistas e coisas.

Desse modo, passamos a valer menos se não estamos em um determinado ambiente, fazendo certas atividades ou participando de algum grupo. Além disso, passamos a sobrevalorizar a opinião dos outros a nosso respeito e tememos a rejeição e o desprezo.

Vamos escondendo ou minimizando nossas habilidades porque não vale a pena usá-las aqui e agora.
Por fim, depois de muito egocentrismo, quando nossos olhos se voltam para Deus, nossa visão Dele também está deformada.

Fazemos nossos castelos no ar e esperamos que o Senhor os torne realidade, que valide os planos que fizemos sem ao menos consultá-lo. Porque insatisfação, em última instância, é dizer que nós é que sabemos o que é melhor para a nossa vida.

A verdadeira satisfação

A verdade é que Ele não é Deus de jogos, nem de contentes, nem de insatisfeitos. Pelo contrário, em sua eterna sabedoria, determinou o onde e o como de cada um de nossos dias.

As circunstâncias que Ele provê são os meios pelos quais espera que nós o contemplemos mais claramente; maneiras pelas quais Sua presença deveria ser mais buscada e querida.
Entretanto, nós, como bons pecadores, nos fixamos nas circunstâncias e nos esquecemos Dele. Sentimos insatisfação porque nosso coração é um poço infinito de desejos.

E, se tentamos ser satisfeitos com o que temos a todo custo, falhamos, porque coisas e situações não podem nos satisfazer.
A fonte de nossa satisfação deveria ser o próprio Deus e não as circunstâncias!

Como Davi expressa no Salmo 16, nós também deveríamos dizer que não temos outro bem senão o Senhor que é a nossa herança, alegria e o alicerce do nosso futuro.

Que, ao deparar-nos com a tentação da insatisfação, nos acheguemos ao Senhor, pedindo que Ele preencha nosso coração Dele mesmo. Assim, que nos faça satisfeitos com Sua presença acima de qualquer coisa que possa fazer parte da nossa vida.
E finalmente, que possamos viver na certeza de que Ele estará conosco e isso é mais que suficiente.

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