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Esperança na morte

Diego Venancio
2 semanas atrás
A morte é o evento que as pessoas mais temem. Mas, para quem está em Cristo, ela não é o fim. Descubra como transformar o luto em confiança e a dor em uma certeza gloriosa que trará verdadeira paz à sua alma.


O cristianismo é maravilhoso porque, mesmo tratando da realidade mais dolorosa da experiência humana, o fim da vida, o evangelho de Jesus Cristo nos oferece esperança na morte, vida eterna e vitória sobre o túmulo.

A morte é uma realidade inevitável para todos os seres humanos. Desde a queda de Adão, ela acompanha a história da humanidade como uma lembrança constante dos efeitos do pecado.

O apóstolo Paulo escreve o seguinte aos Romanos:

“Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte.” (Romanos 5:12)

É por essa razão que a morte nunca foi considerada um evento natural pelas Escrituras, mas um inimigo. Paulo a chama de “o último inimigo a ser destruído”.

Veja:

“O último inimigo a ser destruído é a morte.” (1 Coríntios 15:26)

Contudo, para aqueles que estão em Cristo, a morte perdeu seu aguilhão, ou seja, o seu poder de ferir. O mesmo apóstolo que chama a morte de inimiga, também proclama sua derrota:

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Coríntios 15:55)

A vitória sobre a morte não foi conquistada pelo homem, mas pelo Senhor Jesus Cristo através de sua morte e ressurreição.

Em um mundo marcado por incertezas, enfermidades e despedidas, o cristão possui uma esperança que transcende as circunstâncias presentes. Essa esperança não está fundamentada em sentimentos ou desejos humanos, mas na obra consumada de Cristo.

Porque ele vive, seus filhos também viverão. Essa convicção sustentou a Igreja ao longo dos séculos.

João Calvino escreveu:

“Nunca contemplaremos corretamente a vida futura sem antes aprendermos a desprezar esta vida presente.” (João Calvino)

Calvino não estava incentivando o desprezo pela criação de Deus, mas lembrando que a nossa verdadeira pátria não está neste mundo. O cristão vive na terra com os olhos voltados para a eternidade.

Foi essa esperança que levou o apóstolo Paulo a declarar:

“Tenho o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” (Filipenses 1:23)

Para o crente, a morte não representa destruição, mas entrada na presença daquele que o amou e se entregou por ele.

A esperança na morte dos que pertencem a Cristo

Uma das maiores perguntas da humanidade é: o que acontece após a morte?

As Escrituras respondem com clareza que aqueles que morreram em Cristo entram imediatamente em sua presença. Ao ladrão arrependido na cruz, Jesus declarou:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43)

Observe que Cristo não fala de um estado de esquecimento ou inconsciência. Ele promete comunhão imediata. Paulo reforça essa verdade quando afirma estar…

“… preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.” (2 Coríntios 5:8b)

Essa esperança na morte tem consolado gerações de cristãos diante dos túmulos de seus entes queridos. Aqueles que morrem no Senhor não desaparecem; eles estão com Cristo. O corpo repousa na sepultura aguardando a ressurreição, mas a alma desfruta da presença do Salvador.

A Confissão de Fé de Westminster resume essa esperança ao afirmar:

“As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas em santidade, são recebidas nos mais altos céus, onde contemplam a face de Deus em luz e glória.” (Confissão de Fé de Westminster, capítulo 32, seção 1)

Essa certeza transforma completamente a maneira como o cristão encara a morte. Embora a separação temporária produza tristeza, ela não produz desespero. Paulo escreveu aos tessalonicenses:

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.” (1 Tessalonicenses 4:13)

Os cristãos choram, mas choram com esperança na morte. Eles também sofrem, mas não como aqueles que desconhecem as promessas de Deus.

A morte não é o fim da história dos filhos de Deus. Por isso, mesmo diante das maiores aflições, o crente pode descansar nas palavras do Senhor:

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (João 11:25)

Essa promessa é suficiente para sustentar o coração em qualquer circunstância.

A glória da ressurreição e da nova criação

A esperança cristã não termina quando a alma entra na presença de Deus. O plano divino é muito maior. As Escrituras ensinam que Cristo voltará em glória para ressuscitar os mortos e consumar o seu reino eterno.

Paulo escreve o seguinte, aos tessalonicenses:

“Porque o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.” (1 Tessalonicenses 4:16)

O cristianismo não ensina apenas a sobrevivência da alma, mas a ressurreição do corpo. Assim como Cristo ressuscitou corporalmente, também seus filhos ressuscitarão. Paulo descreve esse futuro glorioso em sua carta aos da igreja de Corinto:

“Semeia-se em corrupção, ressuscita em incorrupção; semeia-se em desonra, ressuscita em glória.” (1 Coríntios 15:42-43)

Nesse dia, toda consequência do pecado será removida. Não haverá mais enfermidade, sofrimento, lágrimas ou morte. O apóstolo João contempla essa realidade em sua visão dos novos céus e nova terra relatada no livro do Apocalipse:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor.” (Apocalipse 21:4)

A esperança cristã não consiste em escapar da criação, mas em vê-la restaurada. Deus fará novas todas as coisas. O paraíso perdido em Gênesis será plenamente restaurado em Cristo.
Jonathan Edwards escreveu o seguinte:

“Os santos serão tão felizes que sua felicidade não poderá aumentar, e tão seguros que jamais poderá diminuir.” (Jonathan Edwards)

Essa é a herança reservada para o povo de Deus. Não uma felicidade temporária, mas uma alegria eterna na presença do Senhor.

Vivendo hoje à luz da eternidade

A certeza da vida eterna não deve nos tornar indiferentes ao presente. Pelo contrário, ela deve nos motivar à fidelidade. O cristão vive entre duas realidades: a cruz que já garantiu sua salvação e a glória futura que ainda será revelada.

Por isso, o apóstolo Pedro faz a seguinte exortação aos crentes:

“Cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.” (1Pedro 1:13)

A esperança da eternidade fortalece a perseverança, sustenta a santidade e encoraja o serviço cristão. Sabemos que nenhum trabalho realizado para Cristo é em vão. Como afirma Paulo:

“Sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1 Coríntios 15:58)

A realidade da morte nos lembra da brevidade da vida. Porém, Cristo nos lembra da eternidade. O evangelho nos ensina que a morte não tem a palavra final. A última palavra pertence ao Salvador que venceu o túmulo. Por isso, o cristão pode caminhar com confiança, mesmo em meio às incertezas deste mundo. Sua esperança não está em sua força, em suas obras ou em suas circunstâncias, mas Naquele que prometeu:

“Porque eu vivo, vós também vivereis.” (João 14:19)

Que essa verdade fortaleça o nosso coração. A morte virá para todos, mas para aqueles que estão unidos a Cristo ela se tornará apenas uma porta para a presença de Deus.

E quando o Senhor voltar, toda lágrima será enxugada, toda dor será removida e toda promessa será plenamente cumprida.

Até aquele dia, a Igreja continua proclamando com esperança:

“Ora, vem, Senhor Jesus.” (Apocalipse 22:20)

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